DeCripto com exchange estrangeira: quem entrega, o que informar e como
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Autor: Equipe CriptoTax
Quem opera em exchange sediada no exterior entrega a DeCripto quando o valor do mês passa de R$ 35.000,00 (IN RFB 2.291/2025, art. 5º, II, "a", e §3º). O arquivo usa o leiaute A, Exchange Estrangeira: oito registros e 91 campos, com nome, site e país da exchange em cada linha.
Vale para: pessoa física residente no Brasil que opera por prestadora de serviço de criptoativo residente no exterior, a partir de 01/07/2026.
Quem entrega
| Onde você operou no mês | Entrega a DeCripto? | Leiaute |
|---|---|---|
| Só em corretora brasileira | Não. Ela informa no leiaute dela (art. 5º, I) | Nenhum |
| Exchange no exterior, e o valor mensal passa de R$ 35.000,00 | Sim | A |
| Exchange no exterior, e o valor mensal fica em R$ 35.000,00 ou menos | Não | Nenhum |
| Exchange no exterior e DEX ou negociação direta no mesmo mês, com soma acima de R$ 35.000,00 | Sim | A e B |
| Corretora com entidade brasileira, mas custódia ou negociação fora do país | A Receita não decidiu | Veja "Entidade brasileira" abaixo |
O limite é "maior que R$ 35.000,00" (art. 5º, §3º). Exatamente R$ 35.000,00 não obriga. A conta é mensal e junta todos os ambientes fora de corretora brasileira. Veja Quem precisa entregar a DeCripto e a ferramenta Preciso entregar a DeCripto?, sem cadastro.
Dois critérios que não se confundem
- DeCripto: depende de a prestadora ser residente no exterior (art. 5º, II, "a").
- Imposto: depende de onde o ativo é custodiado ou negociado. A Receita considera localizados no exterior os ativos "custodiados ou negociados por instituições localizadas no exterior" (Perguntas e Respostas IRPF 2026, perguntas 473 e 653).
Na exchange estrangeira, o ganho segue a Lei 14.754: 15% na declaração anual, sem DARF. Veja Lei 14.754 e criptomoedas e Como declarar cripto no exterior.
O que informar no leiaute A
Cada operação vira uma linha. O art. 9º pede data, tipo, criptoativo, quantidade (até a décima casa decimal), valor em reais sem as taxas, valor das taxas e a identificação da exchange no exterior.
| Registro | Operação | Art. 6º | Campos |
|---|---|---|---|
| 0110 | Compra, com moeda fiduciária | I | 10 |
| 0120 | Venda, com moeda fiduciária | I | 10 |
| 0210 | Permuta entre criptoativos, como BTC por USDT | II | 13 |
| 0350 | Transferência recebida: airdrop, renda de staking, de mineração, empréstimo tomado, vinda de outra prestadora, pagamento por bem ou serviço, devolução de garantia, outras e desconhecidas | III | 12 |
| 0450 | Transferência enviada: para outra prestadora, pagamento de empréstimo, depósito de garantia, pagamento de bem ou serviço até US$ 50.000,00, outras e desconhecidas | IV | 12 |
| 0550 | Aquisição de bens ou serviços acima de US$ 50.000,00 | V | 11 |
| 0650 | Envio a carteira não vinculada a prestadora, como o saque para carteira própria | VI | 11 |
| 0750 | Perda involuntária | VII | 12 |
Os oito registros somam 91 campos. A distribuição primária e o resgate de criptoativo referenciado (incisos VIII e IX) são só da prestadora e não entram no arquivo da pessoa física (art. 9º, II).
Campos que se repetem em toda linha:
- Data:
DDMMAAAA. - Código da operação: numeral romano da tabela do manual, de I a VII.
- Valor da operação: em reais, excluídas as taxas, com duas casas e vírgula, sem separador de milhar.
- Taxas: em campo separado, em reais.
- Símbolo: BTC, ETH, USDT. É o símbolo, e não o nome.
- Quantidade: com vírgula decimal, até 10 casas.
- Exchange: nome (até 60 caracteres), site (até 80) e país de domicílio fiscal, em duas letras da tabela do SPED.
Como chegar ao valor em reais. Na compra e venda, o valor justo é o montante em reais efetivamente pago (art. 10, §1º). Nos demais casos, use o par da exchange com moeda fiduciária e, sem ele, valor contábil, cotação de site especializado, avaliação mais recente ou estimativa razoável (art. 10, §§2º a 4º). Valor em moeda estrangeira vai para dólar e depois para reais pela Ptax de venda do dia (art. 11).
Como preparar o arquivo
- Baixe o histórico da exchange, desde a primeira operação do período. A página Exchanges lista como exportar em cada corretora.
- Separe as operações por mês-calendário. A DeCripto é mensal.
- Some o valor do mês de tudo o que ocorreu fora de corretora brasileira. Passou de R$ 35.000,00? Então todas as operações do mês entram, e não só o excedente.
- Classifique cada operação no registro certo da tabela acima.
- Converta os valores para reais conforme os arts. 10 e 11.
- Preencha nome, site e país da exchange em todas as linhas.
- Gere o arquivo e envie. O passo a passo está em Como enviar a DeCripto no e-CAC.
Exemplo com a conta
Em setembro/2026, em uma exchange fictícia sediada em Seychelles (país SC), você fez três operações:
- 02/09/2026: comprou 0,1 BTC por R$ 36.000,00, com taxa de R$ 54,00.
- 20/09/2026: vendeu 0,05 BTC por R$ 19.500,00, com taxa de R$ 29,25.
- 25/09/2026: trocou 0,02 BTC por 1.400 USDT, avaliados em R$ 7.800,00, com taxa de R$ 11,70.
A soma é R$ 36.000,00 + R$ 19.500,00 + R$ 7.800,00 = R$ 63.300,00, acima de R$ 35.000,00. Só a compra já passa do limite. A DeCripto de setembro é obrigatória e vence em 30/10/2026. As linhas ficam assim:
0110|02092026|I|36000,00|54,00|BTC|0,1|ExchangeExemplo|https://www.exchange-exemplo.example|SC
0120|20092026|I|19500,00|29,25|BTC|0,05|ExchangeExemplo|https://www.exchange-exemplo.example|SC
0210|25092026|II|7800,00|11,70|USDT|1400|BTC|0,02||ExchangeExemplo|https://www.exchange-exemplo.example|SC
Na linha 0210, o criptoativo recebido (USDT) vem antes do entregue (BTC), e o campo vazio entre 0,02 e o nome da exchange é o critério alternativo de avaliação, que fica vazio quando você não usou critério alternativo. O exemplo mostra apenas as linhas de operação. A exchange, os valores e as taxas são inventados.
Se o mês tivesse só a venda de R$ 19.500,00, a soma ficaria abaixo do limite e não haveria o que entregar.
Entidade brasileira: o que ainda não está claro
Algumas exchanges globais abriram ou estão abrindo entidade no Brasil. A DeCripto do usuário vale para prestadora residente no exterior, e a Receita não disse o que muda quando a conta do brasileiro passa para a entidade local.
| Corretora | O que ela diz | Fonte |
|---|---|---|
| Binance | Migra contas de brasileiros para a BBrasil e a Binance Brasil até 29/10/2026. Diz que a BBrasil reporta as operações no Brasil. A conta internacional segue, e o usuário reporta quando as operações do mês passam de R$ 35.000,00 | FAQ de 08/10/2026 |
| Bybit | Migra residentes brasileiros elegíveis para uma entidade local em 24/09/2026. O anúncio não diz quem reporta | Anúncio de 20/07/2026 |
| OKX | Diz que a OKX Brasil é uma entidade brasileira, em acordo com as normas do Banco Central e da Receita | Página de 11/08/2026 |
A leitura conservadora: some as operações dessas contas ao limite do mês. Se o mês passar de R$ 35.000,00, informe todas. Informar a mais não tem multa prevista na IN, e omitir uma operação obrigatória custa 1,5% do valor dela (art. 13, II, "b"). Veja Binance a partir de 29/10/2026 e Multas da DeCripto.
Erros comuns
- Lançar uma permuta (BTC por USDT) como venda seguida de compra. Permuta é o registro 0210.
- Somar a taxa ao valor da operação. O valor é "excluídas as taxas", e a taxa tem campo próprio.
- Usar o nome da moeda no lugar do símbolo.
- Lançar operação de DEX ou de negociação direta no leiaute A. Esse caso é do leiaute B, em Carteira própria e DEX.
- Esquecer o país da exchange ou usar um código fora da tabela do SPED.
O que ainda não está definido
- Exchange com entidade no Brasil. Veja a tabela acima. A Receita não se manifestou, e não encontramos orientação publicada.
- Mesmo mês com leiautes A e B. O manual não diz como proceder. A leitura natural é um arquivo por leiaute, transmitidos juntos.
- Registros 0000 e 9999. O texto geral do manual exige abertura e encerramento em cada arquivo, mas as planilhas de pessoa física não os têm. Faça um envio de teste com um mês pequeno.
- O que entra na soma do limite. A IN fala em "valor mensal das operações, isolado ou conjuntamente" e não diz quais operações do art. 6º entram. A leitura conservadora soma tudo o que está fora de corretora brasileira.
- Esquema do site. O manual traz exemplos com
http://e não fixa o esquema.
Leia também
- DeCripto da Receita Federal: o que é, quem entrega e prazos
- Prazos da DeCripto
- Leiaute do arquivo da DeCripto
Como o CriptoTax resolve
O CriptoTax importa o histórico das suas corretoras, por CSV ou, na Binance, pela API em modo somente leitura. Você indica o local de custódia de cada conta, e o cadastro da corretora tem os campos de país e de site que o leiaute A pede. No plano Premium, ele monta o arquivo da DeCripto: leiaute A para as operações em corretora estrangeira e leiaute B para as feitas sem corretora, e lista as operações com dado faltando. Operações sem preço aparecem para você informar à mão.
Você baixa o arquivo e o envia no Coleta Nacional. O CriptoTax não transmite nada à Receita em seu nome, não lê carteiras on-chain e não trata DeFi e NFT automaticamente. Veja os planos.
Este texto explica a norma e não substitui a orientação de um contador sobre o seu caso.
Histórico de alterações
- 11/10/2026: primeira versão.
Perguntas frequentes
Qual leiaute uso para operações em exchange estrangeira?
O leiaute A, Exchange Estrangeira. Ele serve às operações feitas por prestadora de serviço de criptoativo residente no exterior (IN RFB 2.291/2025, art. 5º, II, a). Operações em plataforma descentralizada ou sem corretora usam o leiaute B.
Informo cada operação ou só o total do mês?
Cada operação. O art. 9º pede data, tipo, criptoativo, quantidade, valor em reais sem taxas, valor das taxas e a identificação da exchange. Cada operação vira uma linha do arquivo.
Como converto dólar para reais?
Converta o valor para dólar, se ainda não estiver em dólar, e depois para reais pela cotação de venda do dólar do Banco Central (Ptax) da data da operação (art. 11). Use o valor justo do criptoativo, sem as taxas (art. 10).
Preciso informar o endereço da minha carteira?
Só se a Receita intimar você no curso de um procedimento fiscal. O art. 17 diz que o endereço da carteira de remessa e de recebimento é obrigatório apenas nessa hipótese.
A DeCripto da exchange estrangeira muda o imposto que devo?
Não. A DeCripto informa operações e não cria tributo (art. 16). Em exchange no exterior o ganho segue a Lei 14.754: 15% na declaração anual, sem DARF e sem a isenção de R$ 35 mil.
Minha exchange abriu uma entidade no Brasil. Ainda entrego a DeCripto?
A Receita não disse. A obrigação do usuário vale para prestadora residente no exterior, e as exchanges com entidade brasileira dizem que a entidade local reporta. A leitura conservadora soma essas operações ao limite do mês, porque informar a mais não tem multa prevista e omitir custa 1,5% do valor.
Fontes
- IN RFB nº 2.291/2025 (DeCripto), arts. 5º, 6º, 9º, 10, 11, 16 e 17 ·
- Receita Federal: Manual de Orientação do Leiaute da DeCripto, versão 1.01, seção 5 (Exchange Estrangeira) ·
- Receita Federal: Leiautes do ADE Copes nº 2/2025 (planilhas dos leiautes) ·
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