Metodologia do CriptoTax: como calculamos o imposto de cripto e o que fazemos quando a norma é ambígua
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Autor: Equipe CriptoTax
O CriptoTax calcula o imposto de cripto da pessoa física pelo custo médio ponderado por ativo, separa o regime nacional do exterior pelo local de custódia e converte dólar pela PTAX de venda do Banco Central. Onde a norma é ambígua, escolhe a leitura que não deixa você pagando a menos e avisa na tela.
Vale para: pessoa física residente no Brasil, fatos geradores de 2024 em diante, salvo onde a página diz outro período. Posição conferida em 12/10/2026. Versão do motor fiscal nessa data: 2026.10.11-3.
Resumo
| Ponto | O que fazemos | Base |
|---|---|---|
| Regime | Nacional (Lei 8.981, art. 21) ou exterior (Lei 14.754), conforme o local de custódia ou negociação na data da venda | P&R IRPF 2026, perguntas 473 e 653 |
| Custo | Custo médio ponderado por ativo, estoque único entre contas | Escolha nossa. Nenhuma norma fixa o método |
| Isenção | Vendas do mês de até R$ 35.000,00, valor bruto, de todos os criptoativos | Lei 9.250, art. 22 |
| Ganho | Valor da venda menos o custo médio do que foi vendido e menos as taxas, venda a venda | Lei 8.981, art. 21; P&R 574 e 583 |
| Perdas | Nacional: não abatem outra venda. Exterior: compensam no ano e o saldo vai para o seguinte, uma vez | P&R 583; Lei 14.754, art. 9º |
| Dólar | PTAX de venda do Banco Central, no dia da operação em Brasília | Lei 14.754, art. 15; IN 2.291, art. 11 |
| DARF | Código 4600 até a apuração de março de 2026 e 1897 desde abril | ADE Codar 16/2026 |
| DeCripto | Soma ampla para o limite de R$ 35.000,00 e arquivo no leiaute A ou B | IN 2.291, arts. 5º e 6º |
Regime por custódia
A Receita trata como no exterior o ativo "custodiado ou negociado por instituições localizadas no exterior" (P&R IRPF 2026, perguntas 473 e 653). O CriptoTax guarda um local de custódia por conta (nacional, estrangeira ou autocustódia) e calcula cada venda pelo regime da conta em que ela ocorreu.
- Nacional: isenção de R$ 35.000,00, faixas de 15% a 22,5%, DARF no último dia útil do mês seguinte. Veja a isenção e o ganho de capital.
- Exterior: 15% sobre o resultado anual, na declaração, sem isenção e sem DARF. Veja a Lei 14.754.
- Autocustódia: o P&R diz que a residência do contribuinte define a localização. Tratamos como nacional, e você pode confirmar que é exterior. Veja carteira própria e DEX.
- Binance a partir de 29/10/2026: a norma não diz como tratar. Mantemos exterior por padrão, calculamos também a alternativa nacional e pedimos confirmação. Veja a mudança da Binance.
Custo médio e por que o escolhemos
O custo médio ponderado divide o custo total pago pelo total de unidades que você tem, e usa esse preço em cada venda. Escolhemos por três razões:
- É coerente com as regras oficiais de moeda estrangeira em espécie e de ações.
- O P&R 473 fala em "valor de aquisição de cada tipo de criptoativo".
- O resultado é fácil de refazer com uma calculadora.
Nenhuma norma que conferimos manda ou proíbe outro método, como o PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair).
Exemplo com a conta. Você compra 1 BTC por R$ 100.000,00, depois outro por R$ 200.000,00, e vende 1 BTC por R$ 300.000,00. A venda passa de R$ 35.000,00, então o ganho é tributado a 15%.
- Custo médio: custo de R$ 150.000,00. Ganho: R$ 150.000,00. Imposto: 15% × R$ 150.000,00 = R$ 22.500,00.
- PEPS: custo de R$ 100.000,00. Ganho: R$ 200.000,00. Imposto: 15% × R$ 200.000,00 = R$ 30.000,00.
Se você vender o segundo BTC pelo mesmo preço, o ganho total dos dois métodos é R$ 300.000,00. O método muda quando o ganho aparece. Quem já declarou por outro método em anos anteriores deve conferir antes de trocar. Veja o custo médio.
O estoque é único por ativo, somando todas as suas contas. Mandar cripto de uma conta para outra não é venda, e o custo em reais acompanha o ativo sem ser reavaliado.
De onde vêm as cotações
- Valor em reais da operação. O cálculo tenta, nesta ordem: (1) o valor em reais do arquivo, quando a operação foi paga em reais; (2) em exchange nacional, o valor ou a cotação em reais que a própria exchange informou na execução; (3) em exchange estrangeira, o valor em dólar do arquivo vezes a PTAX de venda; (4) sem nenhum desses, um preço de referência em dólar do dia vezes a PTAX. O cálculo registra, para cada operação, o caminho usado, com a fonte e a data.
- Preço de referência. Vem do fechamento diário da Binance, no dia de Brasília. No regime nacional, o CriptoTax usa o par em reais quando ele existe. Nos demais casos, usa o par em dólar vezes a PTAX de venda do dia. Stablecoins de dólar valem 1 dólar. É uma referência diária, e pode diferir do preço da execução. O cálculo gera um aviso quando a operação usa esse caminho. Se o ativo não tem preço, ele aparece na lista de operações sem preço, para você informar à mão.
- PTAX. É a cotação de fechamento do dólar, para venda, do Banco Central, lida do serviço Olinda do Banco Central (CotacaoDolarDia). A data é o dia da operação em Brasília (UTC-3). A Lei 14.754, art. 15, e a IN 2.291, art. 11, mandam usar a de venda.
- Dia sem cotação. Sábado, domingo e feriado não têm PTAX, e nenhuma norma diz qual usar. Usamos a do último dia útil anterior, até 10 dias antes, e o cálculo registra a data da cotação efetiva. Exemplo: uma operação no sábado 14/03/2026 usa a PTAX de sexta, 13/03/2026.
- Até 2023. Para ativo comprado com reais em exchange estrangeira, a alienação usa a PTAX de compra e a aquisição, a de venda, pela IN SRF 118/2000, art. 2º. É nossa leitura, porque a norma não trata cripto de forma expressa.
Exemplo com a conta (cotações fictícias). Em exchange estrangeira, em 2026, você compra 0,5 BTC por USD 30.000, com PTAX de venda de 4,9000: custo de R$ 147.000,00. Depois vende 0,25 BTC por USD 20.000, com PTAX de venda de 5,2000: R$ 104.000,00.
- Custo da parte vendida: R$ 147.000,00 × 0,25 ÷ 0,5 = R$ 73.500,00.
- Ganho: R$ 104.000,00 − R$ 73.500,00 = R$ 30.500,00. Imposto na declaração anual: 15% × R$ 30.500,00 = R$ 4.575,00.
O ganho em reais inclui a variação do dólar, porque cada ponta usa a PTAX do seu dia.
Isenção, taxas e arredondamento
- Limite pelo valor bruto, ganho líquido de taxa. O limite de R$ 35.000,00 usa o valor da venda sem abater taxa, que é o que a exchange reporta. O ganho abate a taxa. Exemplo: custo de R$ 30.000,00, venda de R$ 35.005,00 e taxa de R$ 10,00. A venda passa do limite. O ganho é R$ 35.005,00 − R$ 30.000,00 − R$ 10,00 = R$ 4.995,00, e o imposto é 15% × R$ 4.995,00 = R$ 749,25.
- Taxa paga em outra cripto. Tratamos como venda do ativo usado na taxa, que conta no limite e no ganho.
- Arredondamento. O imposto é arredondado para cima, no centavo. Nenhuma norma que conferimos fixa a regra.
- Faixas progressivas. Acumulamos o ganho por ativo no ano da primeira venda e no seguinte, deduzindo o imposto já pago (P&R 574). Avisamos para revisão profissional quando o ganho do mês passa de R$ 5 milhões.
Perdas
No regime nacional, a perda de uma venda não abate o ganho de outra (P&R 583). No exterior, as perdas compensam os rendimentos do ano e o saldo passa para o ano seguinte, uma única vez, pelo valor nominal (Lei 14.754, art. 9º). Veja o prejuízo.
Escolhas nos pontos em que a norma é ambígua
"Conservadora" aqui quer dizer a leitura que não deixa você pagando menos do que a Receita pode cobrar, sem contrariar o texto da norma. Onde a escolha muda o resultado, o produto mostra um aviso.
| Ponto | O que a norma diz | O que fazemos |
|---|---|---|
| Vendas no exterior na soma de R$ 35 mil | O P&R 653 fala em "no Brasil ou no exterior" num trecho, e o 575 e o 679 em "instituições localizadas no Brasil" | Não somamos. Calculamos a leitura alternativa e avisamos quando muda o resultado |
| Método de custo | Nenhuma norma fixa | Custo médio ponderado por ativo |
| Estoque e transferência | O regime vem do local na venda. Não há estoque por regime | Estoque único por ativo. Transferir não é venda, e o custo histórico acompanha |
| Binance depois de 29/10/2026 | Não há manifestação da Receita | Exterior por padrão, com alternativa nacional e confirmação |
| Staking, mineração, Earn, airdrop e cashback | Regime nacional: norma omissa. Exterior: Lei 14.754, art. 3º | Exterior: rendimento a 15% no recebimento. Nacional: pedimos confirmação. Airdrop e cashback entram com custo zero e são tributados na venda. Veja staking |
| Faixas progressivas | Fala em "partes do mesmo bem" sem definir bem para cripto | Acumulamos por ativo, no ano da primeira venda e no seguinte |
| Permuta com ativo no exterior | O P&R 653 fala em "alíquotas progressivas", e a lei, em 15% | 15%. A lei prevalece. Veja a permuta |
| Taxa paga em outra cripto | Norma omissa | Venda do ativo da taxa, no limite e no ganho |
| Limite bruto ou líquido | A lei fala em preço de alienação. A IN SRF 84 abate a corretagem do ganho | Bruto para o limite e líquido de taxa para o ganho |
| Dia sem cotação e valor da permuta | Nenhum texto diz qual PTAX ou qual preço usar | PTAX do último dia útil anterior. Permuta em exchange nacional: valor em reais da exchange. Sem ele, dólar de referência vezes PTAX |
| Conversão até 2023 | IN SRF 118/2000 e SC Cosit 214 | Alienação pela PTAX de compra e aquisição pela de venda |
| Código do DARF | O ADE Codar 16/2026 vale desde 29/04/2026 e não diz de qual período | 4600 até março de 2026 e 1897 de abril em diante |
| DEX e autocustódia | O P&R diz que a residência define a localização | Nacional, com opção de tratar como exterior. Veja USDT e stablecoins para tokens em reais |
| Classificação de tokens | IN 2.291, Anexo I, itens 6 e 7 | BTC no código 01. WBTC e BTCB no 02. DREX fora. Ativo desconhecido no 99, com revisão obrigatória antes de gerar a ficha de Bens e Direitos |
| Atualização a 8% em 31/12/2023 | A opção é do contribuinte | Perguntamos. Quem optou usa o saldo documentado de 2023 como custo, e quem não optou usa o custo histórico |
| Futuros em exchange estrangeira | A lei inclui derivativos entre as aplicações financeiras no exterior e não regula perpétuos | Resultado realizado a 15%, com revisão profissional. Derivativo nacional: não entra como estoque de cripto, e o aviso pede apuração profissional própria |
| Arredondamento | Nenhuma fonte fixa | Para cima, no centavo |
| Soma do limite da DeCripto | O art. 5º, §3º, não diz quais operações entram | Soma ampla: compra, venda, permuta, transferências, staking, airdrop, envios à carteira própria e pagamentos. Veja a DeCripto |
Política de atualização
- Fonte primária. Cada regra cita a norma e o link oficial. Onde só achamos reprodução de terceiros, a seção Fontes diz.
- Data de conferência. Toda página mostra a data em que as fontes foram conferidas e a data de cada fonte.
- Mudança de norma. Atualizamos a página e o motor de cálculo e anotamos no histórico de alterações. Acompanhe os marcos na linha do tempo.
- Correção de erro. Erro confirmado é corrigido e anotado no histórico, e não apagado.
- Revisão profissional. A revisão por profissional de contabilidade com CRC ainda está pendente. Até lá, as páginas dizem isso no cabeçalho de revisão.
- Sem prazo prometido. Não prometemos prazo fixo para cada ajuste. Ele depende da norma e do que ela deixa em aberto.
Como reportar um erro
Escreva para contato@criptotax.pro. Para ajudar a corrigir:
- o endereço da página, ou o mês e o ativo do cálculo;
- o que você esperava e o que viu;
- a norma ou a fonte em que você se baseia.
Não envie senha, chave de API, frase de recuperação, CPF nem extrato completo. Um exemplo com valores fictícios basta.
O que ainda não está definido
- Código do DARF. O corte entre 4600 e 1897 não está fixado pela Receita. Se o programa GCAP gerar outro código, seguimos o programa e registramos.
- GCAP. Não confirmamos como o GCAP 2026 trata cripto e o código 1897.
- Declaração anual do ano-base 2026. As telas e as datas ainda não foram publicadas.
- Revisão com CRC. Pendente.
Como o CriptoTax resolve
O CriptoTax importa o CSV de Binance, Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitget, Bybit, KuCoin, Coinbase, NovaDAX, OKX, Kraken e Gate.io, além de CSV genérico, e conecta a API da Binance somente para leitura. Calcula por regime, conforme o local de custódia, e gera DARF, GCAP e Bens e Direitos. O arquivo da DeCripto sai no plano Premium. Ele mostra as operações sem preço ou sem classificação para você corrigir à mão. Não faz leitura on-chain nem trata DeFi e NFT automaticamente. Sobre quem opera o serviço, veja Sobre o CriptoTax, e sobre os planos, Preços.
Esta página descreve o método e não substitui a orientação de um contador sobre o seu caso.
Histórico de alterações
- 12/10/2026: primeira versão.
Perguntas frequentes
Que método de custo o CriptoTax usa?
Custo médio ponderado por ativo, com um único estoque para todas as suas contas. Nenhuma norma que conferimos fixa o método para cripto, então é uma escolha nossa, mostrada na tela e no relatório. O método muda o imposto de cada venda, e o total ao fim da carteira é o mesmo.
De onde vêm as cotações?
Dólar: a PTAX de venda do Banco Central, da data da operação em horário de Brasília. Cripto: primeiro o valor em reais que consta do arquivo ou da exchange; sem ele, no regime nacional, o fechamento diário do par em reais na Binance; se não houver par em reais, ou no regime do exterior, o fechamento diário em dólar vezes a PTAX de venda. Stablecoins de dólar valem 1 dólar. O cálculo registra a fonte e a data usadas em cada operação.
O que o CriptoTax faz quando a norma é ambígua?
Escolhe a leitura que não deixa você pagando menos do que a Receita pode cobrar, calcula a alternativa quando ela muda o resultado e mostra um aviso. A tabela desta página lista as 18 escolhas, cada uma com a norma.
Como reporto um erro nas páginas ou no cálculo?
Escreva para contato@criptotax.pro com o endereço da página ou o mês do cálculo, o que você esperava, o que viu e a norma que sustenta. Não envie senha, chave de API nem frase de recuperação. Erro confirmado é corrigido, e a correção entra no histórico de alterações.
Com que frequência as regras são atualizadas?
Toda página mostra a data em que as fontes foram conferidas. Quando uma norma muda, atualizamos a página e o motor de cálculo e anotamos no histórico de alterações. Não prometemos prazo fixo, porque ele depende da norma.
Fontes
- Lei nº 8.981/1995, art. 21, com a redação da Lei nº 13.259/2016 ·
- Lei nº 9.250/1995, art. 22 ·
- Lei nº 14.754/2023, arts. 2º, 3º, 9º, 14 e 15 ·
- IN RFB nº 2.180/2024, arts. 9º a 11 e 48 a 57 (texto reproduzido pelo LegisWeb) ·
- IN SRF nº 118/2000, art. 2º (revogada; texto reproduzido pelo LegisWeb) ·
- IN RFB nº 2.291/2025 (DeCripto), arts. 5º, 6º, 10, 11 e 12 ·
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