Custo médio de criptomoedas: a Receita exige esse método?

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Autor: Equipe CriptoTax

Nenhuma norma manda usar o custo médio ponderado para criptoativos. A Receita só define o custo como o valor de aquisição em reais. O CriptoTax usa o custo médio por ativo porque a Receita adota esse método para moeda estrangeira e ações, o método é fácil de refazer e o estoque tem um custo único por tipo.

Vale para: criptoativos nos dois regimes, nacional e exterior. A escolha do método é do contribuinte. Esta página explica o que a norma diz e o que o CriptoTax faz.

O que a norma diz

PontoRegraBase
Custo"Valor de aquisição expresso em reais"IN SRF 84/2001, art. 5º
Compra em partesO custo é a soma dos valores de cada parteIN SRF 84, art. 13
Comissão ou corretagemPodem integrar o custo, se comprovadasIN SRF 84, art. 17, II
Taxa paga na vendaReduz o valor da vendaIN SRF 84, art. 19, §4º
Sem o valor pagoValor corrente na data da aquisição ou, se não der para determinar, zeroIN SRF 84, art. 18, III e IV
ExteriorCada compra em reais pela cotação de venda do dólar do diaLei 14.754, art. 15
Método para criptoNenhuma regraLei 14.754, IN RFB 2.180, IN RFB 2.291 e P&R IRPF 2026

O P&R IRPF 2026 pede que os criptoativos sejam declarados pelo valor de aquisição "de cada tipo de criptoativo" (pergunta 473). Isso aponta para um custo por tipo, e não por conta ou por exchange. A IN RFB 2.291 também fala em "custo de obtenção de cada espécie de criptoativo declarável" (art. 7º, II, "c").

Onde existe custo médio ponderado na norma

O custo médio ponderado existe em duas regras da Receita, e nenhuma é de cripto:

  • Moeda estrangeira em espécie. O custo é o total pago em reais dividido pela quantidade em estoque, e a cada compra ou venda os saldos são ajustados (P&R IRPF 2026, pergunta 643).
  • Ações e quotas. O custo é a média ponderada dos custos unitários, por espécie (IN SRF 84/2001, art. 16, §§3º a 5º).

Por isso o custo médio é uma escolha defensável para cripto, que também é um bem fungível. Mas é escolha, e não exigência.

Por que o CriptoTax usa o custo médio

  1. Coerência. É o método que a Receita já usa para outros ativos fungíveis.
  2. Um custo por tipo. O P&R pede o valor de aquisição por tipo de criptoativo.
  3. Repetível. Duas pessoas com os mesmos dados chegam ao mesmo número, o que facilita conferir e explicar.
  4. Um estoque só por ativo. O custo histórico em reais acompanha o ativo quando ele muda de exchange. A transferência não é venda.

Usar custo médio não é mais "correto" do que outro método. É o método que o CriptoTax aplica e mantém igual em todos os anos.

Regras de bom uso

  • Escolha um método e mantenha. Trocar o método de um ano para outro, só para pagar menos, é o que você deve evitar. Se já declarou por outro método, não troque sem orientação.
  • Registre qual é. Anote o método, a data e a base em um arquivo seu.
  • Guarde os documentos. A Receita pede documentos que comprovem a autenticidade das compras e vendas (P&R 653).
  • Some todas as contas do mesmo ativo. O custo médio de BTC junta o BTC de todas as exchanges e carteiras.
  • Não use o preço de 1º de janeiro como custo. Sem o valor pago, a norma manda o valor corrente na data da aquisição, e não o do começo do ano (IN SRF 84, art. 18, III).

Exemplos com a conta

Exemplo 1: o mesmo caso em três métodos. Você comprou 1 BTC por R$ 100.000,00 em janeiro e 1 BTC por R$ 200.000,00 em fevereiro. Em março, vendeu 1 BTC por R$ 300.000,00.

MétodoCusto da vendaGanhoImposto (15%)
Custo médio: (100.000 + 200.000) ÷ 2R$ 150.000,00R$ 150.000,00R$ 22.500,00
PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair)R$ 100.000,00R$ 200.000,00R$ 30.000,00
UEPS (último a entrar, primeiro a sair)R$ 200.000,00R$ 100.000,00R$ 15.000,00

O método muda o imposto da venda. Por isso o importante é fixar um e não ir trocando.

Exemplo 2: com taxas. Você comprou 0,5 BTC por R$ 100.000,00, com taxa de R$ 150,00, e 0,3 BTC por R$ 75.000,00, com taxa de R$ 100,00.

  • Custo total: 100.000 + 150 + 75.000 + 100 = R$ 175.250,00, para 0,8 BTC.
  • Custo médio: 175.250 ÷ 0,8 = R$ 219.062,50 por BTC.
  • Você vendeu 0,2 BTC por R$ 50.000,00, com taxa de venda de R$ 75,00. Custo da venda: 0,2 × 219.062,50 = R$ 43.812,50.
  • Ganho: 50.000 − 75 − 43.812,50 = R$ 6.112,50. Como a venda passou de R$ 35.000,00, o imposto é 15% × 6.112,50 = R$ 916,88 (arredondado).
  • Sobram 0,6 BTC, com custo de 175.250 − 43.812,50 = R$ 131.437,50. É o valor de Bens e Direitos em 31/12.

Exemplo 3: troca. Você trocou 0,05 BTC por 4 ETH que valiam R$ 27.500,00 na data. O ETH entra no estoque com custo de R$ 27.500,00, ou R$ 6.875,00 por ETH. Esse também foi o valor de venda do BTC (veja Ganho de capital em criptomoedas).

Exemplo 4: duas exchanges. Você comprou 0,1 BTC por R$ 30.000,00 na exchange A e 0,1 BTC por R$ 40.000,00 na exchange B. O estoque é de 0,2 BTC, com custo médio de R$ 350.000,00 por BTC. Ao vender 0,1 BTC na exchange A, o custo da venda é R$ 35.000,00, e não R$ 30.000,00.

Casos especiais

  • Staking, Earn e mineração. Entram no estoque pelo valor de mercado em reais no recebimento, que é o valor já tributado como rendimento (leitura conservadora). Veja Staking e rendimentos de cripto.
  • Airdrop e cashback. Entram com custo zero, e a venda tributa o valor inteiro (leitura conservadora).
  • Exterior. Cada compra converte-se pela cotação de venda do dólar do dia da compra. A variação cambial entra no resultado. Veja Lei 14.754 e criptomoedas.
  • Opção de 31/12/2023, só para ativos no exterior. Quem optou pela atualização a 8% (imposto pago até 31/05/2024, prazo encerrado) tem custo em 31/12/2023 igual ao valor de mercado atualizado. Quem não optou mantém o custo histórico (Lei 14.754, art. 14).

O que ainda não está definido

  • O método. A norma não define método para cripto, e a Receita não publicou orientação que tenhamos encontrado.
  • Ordem das operações no mesmo instante. Duas operações no mesmo segundo podem mudar o custo médio, e a norma não diz como ordená-las. Confira se o seu extrato tem horário.
  • Troca de método. Não há regra sobre trocar de método. A leitura prudente é não trocar.
  • Estoque anterior sem documento. Se você não tem o valor pago, use o valor corrente na data da aquisição e guarde a fonte da cotação.

Leia também

Como o CriptoTax resolve

O CriptoTax importa o CSV de Binance, Mercado Bitcoin, Foxbit, Bitget, Bybit, KuCoin, Coinbase, NovaDAX, OKX, Kraken e Gate.io, além de CSV genérico, e conecta a API da Binance somente para leitura. Ele calcula o ganho de cada venda com custo médio ponderado por ativo, em um estoque único, e usa o mesmo método em todos os anos. Gera o texto de Bens e Direitos com o custo do que restou. Operações sem preço aparecem para você informar à mão. Veja os planos.

Este texto explica a norma e não substitui a orientação de um contador sobre o seu caso.

Histórico de alterações

  • 12/10/2026: primeira versão.

Perguntas frequentes

A Receita obriga o custo médio ponderado para criptomoedas?

Não. Não encontramos, na Lei 14.754, na IN RFB 2.180, na IN RFB 2.291 nem nas Perguntas e Respostas do IRPF 2026, regra que mande usar custo médio ponderado ou outro método para criptoativos. A Receita só define o custo como o valor de aquisição em reais.

Posso usar PEPS, o primeiro a entrar é o primeiro a sair?

A norma não proíbe nem autoriza expressamente, e não encontramos norma que diga que a Receita não aceita PEPS. A escolha prudente é adotar um método, usar o mesmo em todos os anos, registrar qual é e guardar o cálculo.

Como calcular o custo médio de uma criptomoeda?

Divida o valor total pago nas compras, em reais, pela quantidade em estoque. Ao vender, multiplique o custo médio pela quantidade vendida: esse é o custo da venda. A cada compra ou venda, ajuste a quantidade e o custo total do estoque.

A taxa de compra entra no custo?

Sim, a comissão ou corretagem paga na compra pode integrar o custo de aquisição quando comprovada (IN SRF 84/2001, art. 17, II). A taxa paga na venda é deduzida do valor da venda (art. 19, §4º). Guarde o extrato com as taxas.

Comprei o mesmo ativo em duas exchanges. O custo médio é junto?

Sim, no método do CriptoTax o estoque é um só por ativo, somando todas as contas. O P&R IRPF 2026 pede o valor de aquisição de cada tipo de criptoativo, e não de cada conta. Transferir entre exchanges não é venda e leva o custo histórico junto.

Fontes